A defesa do goleiro Rodolfo - pego em exames antidoping realizados depois das partidas do Atlético-PR contra CRB e Ceará por uso de cocaína - se prepara para o julgamento de segunda-feira, no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). O advogado Domingos Moro reconhece que a punição é inevitável, mas trabalha com três argumentos para evitar ela seja muito grande - o máximo são dois anos de suspensão.
O primeiro argumento é o fato de drogas como a cocaína não beneficiarem os atletas na questão física. Outro é a força de vontade do jogador de 21 anos, que confessa ser dependente químico e está internado em uma clínica de recuperação. Por fim, o advogado deve citar o trabalho do clube no caso.
- A cocaína é uma substância proibida, mas tem que se analisar o ganho que o atleta pode vir a ter. O ganho é zero. Drogas como cocaína, maconha, craque e heroína provocam uma euforia, mas não tem nenhum benefício físico. Muito pelo contrário - explica Domingos Moro.
Goleiro Rodolfo vai a julgamento na segunda-feira (Foto: Bruno Baggio/Site Oficial do Atlético-PR)
- E nós vamos levar para o julgamento o ser humano. Não é um usuário ou alguém que usou a droga em determinada circunstância, e sim um dependente. Ele é viciado desde os 16 anos e está tentando, com ajuda do clube e com muita força de vontade, se recuperar. Tanto que está, há mais de uma semana, em uma clínica - completa.
Se a suspensão for muito longa, a possibilidade de recuperação se reduz"
Domingos Moro, advogado
Rodolfo vai ser julgado, na segunda-feira, pelo exame realizado após a partida contra o CRB, em jogo válido pela quinta rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Psicólogos do clube e o próprio goleiro vão prestar depoimento. Internado desde o dia 2 em uma clínica, o jogador deve sair, acompanhado de um responsável da clínica e de um do clube, na tarde desta sexta-feira para realizar um treino físico no CT do Caju.
- Um dependente, para se recuperar, precisa trabalhar. No começo do tratamento, claro, ele fica na clínica, em tratamento. Mas ele só vai conseguir se recuperar se jogar, única coisa que ele sabe fazer. Se a suspensão for muito longa, a possibilidade de recuperação se reduz. Se ele não puder competir, o treinamento é comprometido - fala o advogado.