Luiz Signor - 31/08/2012 - 07:02 Paranaguá (PR)
Um lance polêmico e pouco visto nos gramados vem dando o que falar desde a última terça-feira, quando Atlético-PR e Joinville empataram em 1 a 1, no Gigante do Itiberê, em Paranaguá (PR), pela 20ª rodada da Série B do Brasileirão. O árbitro do jogo, Francisco Carlos do Nascimento (Fifa-AL) voltou atrás após marcar um pênalti a favor da equipe catarinense ao ser alertado pelo quarto árbitro: Adriano Milczvski (PR).
Inicialmente, cogitou-se que juiz teria sido avisado por alguém que estivesse vendo a imagem pela televisão (interferência externa), o que é proibido pela Fifa. Isso, no entanto, foi negado pelo árbitro e pelo quarto árbitro ao LANCENET!.
A jogada foi no segundo tempo. Lima, atacante do Joinville, partia para dentro da área quando foi derrubado por Manoel, zagueiro do Atlético-PR. Francisco do Nascimento não titubeou e marcou pênalti, mesmo com a falta tendo sido – claramente – fora da área.
Assim que a penalidade foi marcada, o árbitro, a auxiliar Lilian da Silva Fernandes Bruno (Fifa-RJ), e Adriano Milczvski começaram uma espécie de conferência através do ponto eletrônico, que terminou com o decisão do primeiro de voltar atrás e marcar apenas falta fora da área para o Joinville. A mudança de decisão demorou de um minuto e meio.
– Aceitei a opinião do quarto árbitro, que estava melhor posicionado. A regra permite isso. Nós trabalhamos em equipe, a opinião de todos é importante e um erro foi evitado – disse o árbitro alagoano, antes de citar os elogios que recebeu de Aristeu Leonardo Tavares, presidente da Comissão Nacional de Arbitragem (Conaf) da CBF:
Procurado pela reportagem do LNET!, Adriano Milczvski confirmou ter auxiliado Francisco Carlos do Nascimento, mas sem qualquer tipo de ajuda externa.
– Estava próximo do banco do Atlético na ocasião e pude ajudar. Mas não teve nada de replay ou auxílio de outra pessoa – revelou.
BATE-BOLA
Francisco Carlos do Nascimento
Árbitro de Atlético-PR 1 x 1 Joinville
Como foi a marcação do pênalti do Manoel sobre o Lima?
Foi um lance confuso, pois não imaginava que o Manoel fosse errar aquele passe. Marquei o pênalti, mas não tinha tanta certeza se tinha sido dentro da área. Apostei na minha intuição, pois, no início da jogada, achei que estava bem posicionado para tomar a decisão.
A reclamação dos jogadores do Joinville quando você voltou atrás na sua decisão foi excessiva?
Acredito que o próprio Joinville não teria ficado totalmente satisfeito em vencer um jogo graças a uma penalidade que não existiu. O fato de eu ter voltado atrás precisa ser destacado como algo positivo. Vendo o lance pela TV, realmente a falta havia sido fora da área. Eu, como qualquer ser humano, tinha errado naquele momento.
COM A PALAVRA
Leonardo Gaciba
Ex-árbitro e comentarista de arbitragem
Até pouco tempo atrás, o quarto árbitro tinha função praticamente administrativa. Hoje, ele pode e precisa auxiliar nas partes técnicas e táticas. Isso é um dos diferenciais para uma boa arbitragem.
O lance que gerou tanta polêmica nesse jogo do Atlético-PR com o Joinville em Paranaguá só comprova como a participação pode ser decisiva, embora ela tenha demorado para acontecer.
Tudo isso poderia ser melhor, se a Fifa finalmente fosse a favor do uso da tecnologia no futebol, o que já pôde ser visto na final da Copa de 2006, quando o Zidane foi expulso. A Fifa vai morrer dizendo que foi o quarto árbitro que informou sobre a cabeçada dele, mas todos sabem que o telão foi essencial para a sua expulsão.
O problema é que isso (mudanças) tem de vir de cima para baixo, o que é difícil. Em caso de erro, quem fica marcado é o árbitro, a carreira dele e o clube prejudicado. Sou a favor da justiça no futebol. A favor da tecnologia.
CATARINENSES CITAM ACERTO
Embora tenha "perdido" um pênalti naquele lance, o Joinville admitiu que a falta em Lima foi fora da área. Portanto, não entrou em polêmica sobre a jogada.
– De fato, houve um equívoco no primeiro momento. Na hora achei que foi pênalti, mas não estava bem posicionado – disse o diretor de futebol, Léo Franco.
O QUE DIZ A REGRA
Permitido
A Fifa autorizou o uso de duas tecnologias, denominadas de GoalRef e Hawk-Eye. A primeira consiste em sensores nas traves. A segunda utilizará câmeras para determinar se a bola entrou no gol. Ambas estão em testes.
Não pode
A Fifa ainda não admite auxílio de imagens (replay de lances) para evitar possíveis erros durante jogos.