sábado, 22 de dezembro de 2012

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As três principais equipes paranaenses viveram no ano de 2012 fortes emoções, passando por sustos, decepções, mas também comemorando títulos, acessos e o retorno e antigos ídolos. O resumo para estes times é de um ano bom - apesar dessa montanha russa, com seus altos e baixos - de recuperação, mas o horizonte ainda é incerto, com a necessidade de investimento para montar equipes competitivas para a maratona de competições que os esperam em 2013.

Coxa comemorou tri, mas passou sufoco e só agora só pensa na nova ‘Era Alex’

Empolgado com a marca de ‘maior vencedor do mundo’, conquistada em 2011 com 24 vitórias consecutivas, com o vice na Copa do Brasil daquele ano e a bola campanha no Brasileirão, o Coritiba iniciou a temporada prometendo uma equipe competitiva e a busca pelo tricampeonato estadual. Porém, a saída de alguns atletas obrigou o técnico Marcelo Oliveira encontrar novas alternativas. Mesmo assim, após dois empates sobre o rival Atlético Paranaense nas finais, o título veio na cobrança de pênaltis.

Paralelamente, o Alviverde traçava seu caminho na busca pelo principal objetivo na temporada conquistar a sonhada vaga na Libertadores da América que bateu na trave em duas oportunidades no ano anterior. O começo de Copa do Brasil, no entanto, foi complicado, com direito a empate fora de casa diante do Nacional-AM, e derrota contra o ASA no primeiro confronto da segunda fase. A partir daí o Coxa se impôs diante de Paysandu e Vitória até chegar a um duelo duro diante do São Paulo. Derrota na capital paulista e vitória no Alto da Glória que credenciaram o time para a final, desta vez diante do Palmeiras, que fez a vantagem com um 2 a 0 em casa e arrancou um empate em 1 a 1 em Curitiba, adiando mais uma vez o sonho coxa-branca.

Até então sofrendo pouca contestação, Marcelo Oliveira vê seu trabalho ser colocado em dúvida com uma campanha pífia no Brasileirão, lutando contra o rebaixamento, e uma eliminação precoce na Copa sul-americana diante do Grêmio. Marquinhos Santos assumiu a equipe e, ao lado do atacante Deivid, contratado para resolver um problema crônico no ataque alviverde, comandou a reação. Não sem passar sufoco. Nas rodadas finais, queda de rendimentos, uma série de derrotas consecutivas que deixara o time com chances matemáticas de queda até a penúltima rodada, quando se salvou.

A maior comemoração alviverde no ano, entretanto, foi a chegada de um antigo ídolo. O meia Alex chega para fazer parte de um projeto que visa atrair jogadores de qualidade para a formação de um grupo campeão, além de ações de marketing para atrair torcedores para os jogos e sócios para o clube. Resta saber se o plano dará certo já que, somente Alex, apesar de seu talento, não pode levar todo o time nas costas.

Furacão renasce em ano de muitas lições

Desconfiança geral do torcedor, elenco indefinido e a segunda divisão do Campeonato Brasileiro pela frente. O Atlético Paranaense não viveu dais fáceis de sua estreia ao último jogo da temporada. Na apresentação da equipe, o novo treinador, o uruguaio Juan Ramón Carrasco, destaca que a Série B seria a prioridade, mas boas campanhas no Paranaense e na Copa do Brasil seriam importantes nesse processo. Campeão do primeiro turno do Estadual, a equipe aprendeu sua primeira lição no ano ao deixar escapar o segundo turno, que ficou nas mãos do rival Coxa. Resultado: derrota nos pênaltis na final, aumentando o jejum de títulos.

O time avançou bem pela Copa do Brasil, apesar do sufoco na primeira fase, quando perdeu no Maranhão para o Sampaio Correia e conseguiu uma vitória magra em casa, mas suficiente para seguir. Criciúma e Cruzeiro foram os adversários seguintes que sucumbiram com quatro vitórias do Rubro-Negro. Mas, diante do Palmeiras, o sonho de chegar à Libertadores da América e alcançar um título inédito chegaram ao fim depois de um empate e uma derrota para os paulistas. Com uma série de modificações na escalação a cada jogo, com direito a alguns improvisos e invenções, Carrasco começou a ser contestado.

Aposta certa entre os favoritos da Série B, o Furacão passou a figurar entre os últimos colocados e, após derrotas para Boa Esporte e CRB, o uruguaio foi demitido. Para seu lugar a diretoria apostou em Ricardo Drubscky. Apenas duas partidas depois, temeroso pela falta de experiência do treinador, o clube contratou Jorginho. Começou aí uma reestruturação no elenco, com uma série de contratações indicadas pelo novo comandante. No entanto, sem tempo para esperar por resultados, a diretoria voltou a tirar seu técnico.

A lição sobre a falta de continuidade, que já deveria ter sido aprendida em 2011, desta vez parece que estava bem estudada. Para surpresa geral, Drubscky reassumiu novamente o grupo, agora reforçado pelos indicados por Jorginho, totalmente em suas mãos e sem depender tanto de Paulo Baier. Com uma bela arrancada - não sem alguns sustos pelo caminho - o Atlético-PR chegou ao G-4, sonhando até mesmo com título. Contentou-se com o acesso, garantido apenas na última rodada, segurando um empate no último lance do clássico diante do Paraná Clube. Para 2013, resta saber se a reforma da Arena da Baixada, que deixa o time mais um ano sem sua casa, não terá influencia negativa em campo e nas contratações.

Tricolor tenta resgatar passado de glórias, mas crise atrapalha os planos

Após um ano marcado por dificuldades financeiras, debandada de jogadores, queda para a segunda divisão do Campeonato Paranaense e mais um ano de Série B pela frente, a primeira providência tomada pela diretoria do Paraná Clube foi encontrar um novo comandante. Para a tarefa o escolhido foi Ricardinho, que acabava de pendurar as chuteiras. Ídolo da torcida tricolor nos anos 90, o ex-atleta chegaria para fazer renascer o espírito vencedor da época em que atuava pelo time da Vila Capanema.

Fora da primeira divisão do Estadual, o Tricolor entrou em campo somente no dia 7 de março pela primeira rodada da Copa do Brasil, diante do Luverdense-MT. Com um time formado por atletas da categoria de base, mesclados com alguns jogadores remanescentes, a equipe empatou fora de casa, mas garantiu sua classificação na Vila Capanema. Na fase seguinte, dois empates que garantiram a vaga para as oitavas-de-final - melhor classificação nas últimas participações - diante do Palmeiras, que com duas vitórias avançou até o título.

Era hora então de fazer sua obrigação. Contra uma série de times do interior paranaense, alguns desconhecidos do público, sem estádio ou torcida, o Paraná Clube passeou, conquistou os dois turnos e assegurou seu retorno à Série Puro. Primeiro título da nova carreira de Ricardinho e uma chance para analisar alguns atletas vindos das categorias de base que serviriam para compor o time no Brasileirão.

Apostando mai suma vez no passado, o Tricolor depositava suas fichas em Lúcio Flávio para ser o maestro do meio campo. Após um período de instabilidade, o time parecia deslanchar na tabela, sonhando coma volta à primeira divisão. Mas logo vieram os tropeços, a péssima campanha fora de casa e, novamente, a crise financeira. Como resultado salários atrasados, ameaça de greve e a saída repentina de Ricardinho, aborrecido com a diretoria que não teria cumprido suas promessas. Toninho Cecílio assumiu o time e conseguiu, pelo menos, manter a equipe paranista na Série B. Em sua última apresentação, diante do Atlético-PR, o bom futebol mostrado e a superação dão ao torcedor esperanças de um 2013 melhor.