sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Festa em Paranavaí e final caipira foram últimos destaques do interior

Londrina campeão paranaense de 1992 (Foto: reprodução RPCTV)A última 'festa do interior' foi em 92 com Londrina e 
União Bandeirante (Foto: reprodução RPCTV)

A última vez em que a taça de campeão paranaense não foi levantada por um time da capital aconteceu em  2007. O Clube Atlético Paranavaí bateu o favorito Paraná Clube na final e se tornou mais um intruso na competição dominada por times de Curitiba, aumentando para 11 o número de títulos comemorados nas 98 edições do Estadual realizadas até hoje.

Antes do Vermelhinho do interior, o Iraty também teve seu destaque em 2002, quando ganhou o título do Paranaense, que não contou com as três equipes da capital. No quadrangular final, conhecido como Super Paranaense, o Azulão não repetiu a façanha e o Atlético-PR se sagrou campeão.

Se a viagem no tempo for ajustada para 20 anos atrás, será possível encontrar a última final caipira, protagonizada por Londrina e União Bandeirantes. O Tubarão levou a melhor e desde então nunca mais soube o que é conquistar um título estadual da primeira divisão.

Os dois momentos foram relembrados por personagens que marcaram os anos, que ficaram na memória das duas torcidas.

Paranavaí: o imbatível Vermelhinho terminou invicto contra o trio de Curitiba

O caso mais recente de um time do interior ser campeão paranaense foi na década passada. Em 2007, o Paranavaí fez uma campanha regular, mas a principal lembrança foi a sequência de vitórias em cima dos favoritos. Na semifinal, a equipe passou pelo Coritiba, enquanto na final o derrotado foi o Paraná Clube.

Na primeira fase, o ACP terminou em quinto e se classificou entre os oito para a sequência, que foi dividido em dois grupos. No B, o Vermelhinho só ficou atrás do Atlético-PR, por isso enfrentou o líder do A, que tinha sido o Coritiba. Venceu o Alviverde por 3 a 2 em casa e segurou o empate de 1 a 1, no Couto.

A final foi dramática. Os jogadores sabiam que era uma oportunidade única para o bem montado time de Paranavaí. No elenco, os principais destaques eram o goleiro Vanderlei (atualmente no Coritiba), o meia Tiago e o atacante Edenilson.

Paranavaí foi diferente, pois a diretoria conseguiu reunir um grupo de vários jogadores bons em todas as posições"

Amauri Knevitz, técnico

O técnico gaúcho Amauri Knevitz (que está sem clube) era o responsável por comandar a equipe do interior do estado. Ele lembra que o principal trunfo era a união e a qualidade de todo o elenco do ACP.

- Aquele Paranavaí não foi campeão por acaso. Normalmente, cada equipe tem um ou outro jogador que se destaca, que tem qualidade. Mas no Paranavaí foi diferente, pois a diretoria conseguiu reunir um grupo de vários jogadores bons em todas as posições. Isso foi um diferencial. Tanto a nossa equipe, como o Rio Branco-PR daquela época seriam campeões com justiça.

O jornalista Jasson Goulart narrou, pela RPC TV, as duas partidas finais contra o Paraná e acompanhou de perto a campanha do Paranavaí. Segundo ele, uma comparação do ACP com um destaque atual do interior seria com o Cianorte.

- Dá para destacar é a turma que saiu de lá. O Vanderlei se destacou e foi para o Coritiba, além do Edenilson, que foi o artilheiro do time na competição. O Paranavaí estava com um bom trabalho, uma base que se manteve. Um trabalho próximo ao que o Cianorte realiza atualmente no interior.

A campanha do Paranavaí não é exaltada só por ter tirado o título da capital, mas por terminar invicto contra o trio formado por Atlético-PR, Coritiba e Paraná. Em nove partidas, o Vermelhinho venceu cinco e empatou quatro.

Na final, discurso exigente no vestiário: 'Paraná vai ter mais chances, o Paranavaí não'

Paranavaí campeão paranaense de 2007 (Foto: reprodução RPCTV)Paranavaí bateu o favorito e levantou a taça em 2007
(Foto: reprodução RPCTV)

O treinador Amauri Knevitz lembra de um fato interessante no vestiário, durante o primeiro jogo da final. A partida foi em casa, no Estádio Waldomiro Wagner. Após um primeiro tempo sem gols, o Paranavaí estava satisfeito com o resultado. Quem estava bravo era Knevitz, pois sabia que precisava sair com uma vitória, para segurar o Paraná em Curitiba.

- O pessoal chegava e me perguntava porque eu estava tão bravo, se o empate era um resultado bom. Eu lembrei eles que o era o nosso momento e precisávamos aproveitar. Eu lembro a frase que disse no vestiário: 'O Paraná vai ter mais chances, mas o Paranavaí não. Pode ser uma coisa única e precisamos aproveitar'. No final das contas, foi bem isso que aconteceu.

Nós chegamos pela manhã, fomos recebidos pela população, desfilamos no carro de bombeiros e foi declarado como ponto facultativo"

Rodrigo Delazari, zagueiro

No segundo tempo, o atacante Tales foi o autor do "gol do título". Após da cobrança de falta certeira, o time do interior segurou a vitória no primeiro jogo. Na decisão, o empate de 0 a 0 confirmou a taça para o ACP.

- Nós conseguimos inverter a questão de pressão, por jogar com um time da capital. Isso foi superado na semifinal, quando passamos pelo Coritiba. A pressão era do Paraná, que precisava vencer um time do interior.

O zagueiro Rodrigo Delazari comenta que o retorno para Paranavaí também foi um momento inesquecível. A cidade parou para receber os campeões e a Prefeitura decretou feriado municipal.

- A principal lembrança foi o nosso retorno para Paranavaí. Nós chegamos pela manhã, fomos recebidos pela população, desfilamos no carro de bombeiros e foi declarado como ponto facultativo. Esse foi um momento mais marcante, em que os torcedores reconheceram a nossa conquista, principalmente por um time do interior ter conquistado o Paranaense.

Londrina em 1992: a emoção de disputar uma final sem a capital

Se o Paranavaí foi o último campeão caipira, o Londrina pode se orgulhar por vencer a última final protagonizada por times do interior. O adversário daquele momento era um poderoso União Bandeirantes, que tinha formado um bom time para fazer história no estado.

Mas o tricampeonato do Tubarão foi conquistado com ares de dramaticidade. Na semifinal, o Londrina tinha eliminado o Atlético-PR. Quando parecia que a vida estava mais fácil, o Alviceleste  encontrou o rival União, que não vencia há seis anos.

Sem um estádio com capacidade mínima para receber a final, o União teve que mandar o seu jogo em Londrina também. Na primeira partida, empate. No segundo duelo, o União vencia por 2 a 0, mas o Tubarão foi atrás. Quem relembra a reação londrinense foi o herói daquele jogo, o ex-zagueiro Márcio Alcântara.

O Tubarão conseguiu marcar um gol durante o segundo tempo e diminuir a vantagem. A vitória do União Bandeirantes se manteve até o último minuto, quando Márcio conseguiu fazer o gol do empate - que forçou o terceiro jogo.

O Londrina tirou uma força para conseguir superar a boa equipe do União e conseguir o empate. Foi um jogo inesquecível"

Márcio Alcântara, jogador

- O campeonato inteiro foi de um equilíbrio imenso. Todas as partidas foram disputadas até o último minuto, principalmente o segundo jogo da final. O União abriu uma boa vantagem, que quem olhava, já dava o título para eles. O Londrina tirou uma força para conseguir superar a boa equipe do União e conseguir o empate. Foi um jogo inesquecível - lembra o ex-zagueiro, atualmente comentarista de futebol.

No terceiro jogo, Márcio estava suspenso, mas o destino quis que ele fosse substituído por outro herói: João Neves. Foi dele o gol do título, marcado de cabeça, ainda no primeiro tempo. No final da partida, o Estádio do Café explodiu de alegria com o fim do jejum de título do Tubarão.

- Não sobrou nada. Muitos jogadores do Londrina conseguiram sair só de cueca do campo. A torcida ficou em extâse, invadiu o gramado e tudo que servia de lembrança foi aproveitado. Foi um momento marcante e de muita festa.

Outra final caipira? Mais um título para o interior?

O ex-jogador Alcântara acha difícil a situação para um time do interior vencer novamente. Segundo ele, o atual panorama do futebol estadual dá uma vantagem muito grande para a dupla Atletiba vencer com folga.

Londrina campeão paranaense de 1992 (Foto: reprodução RPCTV)Torcida explodiu de alegria com o título do Tubarão
(Foto: reprodução RPCTV)

- A estrutura deles é bem maior do que o restante das equipes, por isso fica uma luta muito desigual. Não tem como vislumbrar. Só se acontecer uma grande campanha, pois a atual fórmula não permite. Antes, os times se encontravam em um quadrangular, que definia os finalistas. Mas com a fórmula de dois turnos, fica difícil de um time do interior chegar na final.

Ele ressalta que a principal esperança dos clubes fora de Curitiba é que Atlético-PR e Coritiba não valorizem tanto o Campeonato Paranaense, para dar mais espaço ao restante.

- A esperança e torcida dos times de fora da capital é que o Coritiba e Atlético-PR pensem mais nas competições nacionais e deixem de lado um pouco o Paranaense. Só assim, o interior pode ter alguma chance de brigar de igual para igual - completa.